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Dra. Luciana Munhoz – Ginecologista em Rondonópolis – MT

HPV: Papilomavírus Humano
Infecção, Doença e Prevenção

Uma revisão abrangente sobre epidemiologia, manifestações clinicas, rastreamento e estratégias de vacinação ao longo do ciclo de vida

Eu sou a Dra Luciana Munhoz, médica há mais de 25 anos e dedicada a buscar sempre a melhor atualização.

O Papilomavirus Humano (HPV) representa a infecção sexualmente transmissível mais frequente no mundo, com estimativas de que cerca de 80% dos indivíduos sexualmente ativos sejam infectados ao longo da vida. O espectro de doenças causadas pelo HPV abrange desde verrugas anogenitais benignas até lesões precursoras e canceres invasivos, sendo o câncer do colo do útero o exemplo mais relevante. A introdução de vacinas profiláticas de alta eficácia transformou o panorama da prevenção primária, tornando essencial que profissionais de saúde e população geral compreendam as indicações, o esquema vacinal e os grupos beneficiados. Este artigo revisa os aspectos fundamentais da infecção pelo HPV, suas consequências clinicas e as recomendações atuais de vacinação.

01 — Introdução: O que e o HPV?

O Papilomavirus Humano, universalmente conhecido pela sigla HPV (do inglês Human Papillomavirus), e um vírus de DNA de dupla fita pertencente a família Papillomaviridae. Trata-se de um microorganismo altamente especifico para o epitélio humano, capaz de infectar células da pele e das mucosas de diferentes regiões do corpo, com especial tropismo pelo trato anogenital.

Atualmente, mais de 200 genotipos distintos de HPV já foram identificados e caracterizados. Esse repertório diverso de genotipos é o que fundamenta a grande variedade de manifestações clinicas associadas ao vírus, que vão desde lesões completamente benignas e assintomáticas ate neoplasias malignas de relevância epidemiológica mundial.

A transmissão ocorre predominantemente por contato direto pele a pele ou mucosa a mucosa, sendo o contato sexual a via mais comum. No entanto, a transmissão vertical (da mãe para o bebe durante o parto) e o contato não sexual com superfícies contaminadas também estão descritos, ainda que sejam vias menos frequentes.

Laboratorio medico - pesquisa virologica
Pesquisa virológica moderna: o HPV e estudado em nível molecular para o desenvolvimento de diagnósticos e vacinas cada vez mais precisos.

02 — Classificação: Genótipos de Alto e Baixo Risco Oncogênico

A classificação clínica mais relevante dos genótipos do HPV divide-os em dois grandes grupos, de acordo com o potencial oncogênico: os de baixo risco e os de alto risco.

Genótipos de Baixo Risco

Os genótipos de baixo risco oncogênico — dos quais os tipos 6 e 11 são os mais prevalentes — sao responsáveis por cerca de 90% dos casos de condiloma acuminado (popularmente conhecido como “crista de galo” ou verruga genital) e pela papilomatose respiratória recorrente. Embora causem lesões muitas vezes constrangedoras e de tratamento trabalhoso, esses genotipos raramente estão associados ao desenvolvimento de cãncer.

Genótipos de Alto Risco

Os genotipos de alto risco oncogênico compreendem pelo menos 12 tipos virais reconhecidos pela Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC) como carcinogênicos para humanos. Entre eles, os tipos 16 e 18 destacam-se por sua virulência: juntos, são responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de cãncer do colo do útero em todo o mundo. Os tipos 31, 33, 45, 52 e 58 também exercem contribuição significativa.

A persistência da infecção por genótipos de alto risco — quando o sistema imunológico não consegue eliminar o vírus espontaneamente — e o principal mecanismo pelo qual o HPV leva ao desenvolvimento de lesões intraepiteliais de alto grau e, subsequentemente, ao cãncer invasivo.

CategoriaPrincipais GenotiposManifestacoes Clinicas
Baixo risco6, 11, 40, 42, 43, 44Verrugas genitais, papilomatose respiratoria recorrente
Alto risco16, 18, 31, 33, 45, 52, 58NIC, NIVA, canceres de colo, vulva, vagina, anus, orofaringe e penis

03 — Epidemiologia: Dimensão Global e no Brasil

O HPV é considerado a infecção sexualmente transmíssivel (IST) viral mais comum em todo o mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que mais de 300 milhões de mulheres apresentem infecção ativa pelo vírus, e que aproximadamente 570.000 novos casos de câncer do colo do útero sejam diagnosticados anualmente, resultando em mais de 300.000 mortes — a grande maioria em paises de baixa e media renda, onde o acesso ao rastreamento e a vacinação ainda e limitado.

No Brasil, o câncer do colo do útero e o terceiro tipo de câncer mais incidente entre as mulheres, excluidos os tumores de pele não melanoma. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima dezenas de milhares de casos novos por ano. A disparidade regional e marcante: regiões Norte e Nordeste apresentam as maiores taxas de incidência e mortalidade, reflexo das iniquidades no acesso a serviços de saúde preventiva.

Além do câncer cervical, o HPV e responsável por parcela expressiva dos canceres de vulva (cerca de 40%), vagina (64%), anus (88%), orofaringe (70% dos casos associados ao HPV) e pênis (50%). Esse espectro ampliado de doenças reforça a importância da prevenção não apenas para mulheres, mas para toda a população.

“Cerca de 80% dos individuos sexualmente ativos serao infectados pelo HPV em algum momento da vida — na maioria dos casos, sem qualquer sintoma aparente.”

04 — História Natural – Da Infecção ao Câncer: O Que Acontece no Organismo

Compreender a história natural da infecção pelo HPV é fundamental para interpretar resultados de exames, orientar pacientes e tomar decisões terapêuticas adequadas.

Infecção Transitória

A grande maioria das infecções pelo HPV é eliminada espontaneamente pelo sistema imunológico em um período de 12 a 24 meses, sem deixar sequelas. Estima-se que mais de 90% das infecções tenham esse desfecho favorável, especialmente em indivíduos jovens com imunidade competente. Durante esse período, a pessoa pode transmitir o vírus sem apresentar qualquer lesão visível.

Infecção Persistente e Lesões Precursoras

Em uma minoria de casos — relacionados a fatores genéticos do hospedeiro, ao genótipo viral, ao estado imunológico e a cofatores como tabagismo, uso prolongado de contraceptivos orais e coinfecções — a infecção persiste. A infecção persistente por genótipos de alto risco pode levar ao desenvolvimento de lesões intraepiteliais cervicais (NIC), classificadas em graus 1, 2 e 3, de acordo com a extensão do epitélio comprometido. As lesões NIC 2 e NIC 3 são consideradas precursoras de alto grau e, se não tratadas, podem evoluir para carcinoma invasivo.

Progressão para Câncer

A progressão de uma infecção pelo HPV de alto risco ate o câncer do colo do útero é geralmente lenta, levando em media de 10 a 20 anos. Essa janela temporal e justamente o que torna o rastreamento por colpocitologia oncológica (exame de Papanicolau) e pelo teste de HPV tão eficaz: a detecção e o tratamento das lesões precursoras interrompem o processo antes do câncer se instalar.

05 — Diagnóstico: Como o HPV é Detectado

O diagnóstico do HPV pode ser realizado por diferentes metodologias, cada uma com indicações e limitações específicas.

Exame Clínico

As lesoes visíveis, como condilomas acuminados, são diagnosticadas clinicamente pela inspeção visual. Em casos duvidosos, pode-se realizar o teste do acido acático (solução a 3-5%), que torna as lesões subclínicas esbranquiçadas (acetobrancas). O exame clinico, contudo, não diferencia genotipos e não detecta infecções subclínicas sem lesão macroscópica.

Colpocitologia Oncológica (Papanicolau)

O exame de Papanicolau é o método de rastreamento historicamente mais utilizado. Coleta-se material do colo do Útero, que e analisado microscopicamente em busca de alterações citológicas sugestivas de ação viral ou de lesões intraepiteliais. Apesar de amplamente disponível e de baixo custo, apresenta sensibilidade moderada e exige periodicidade regular para compensar possíveis resultados falso-negativos.

Teste Molecular para HPV

Os testes moleculares (PCR, captura hibrida) detectam o DNA ou RNA do HPV no material coletado, com maior sensibilidade que a citologia isolada. As versões mais modernas identificam e tipam o genótipo viral, distinguindo entre tipos de alto e baixo risco. O teste de HPV vem sendo incorporado como método de rastreamento primário ou em co teste com a citologia, especialmente em mulheres a partir dos 25 ou 30 anos, de acordo com os protocolos adotados por cada país.

Não existe teste laboratorial rotineiro indicado para rastreamento de HPV em homens, uma vez que nao há método validado para essa finalidade. O rastreamento masculino é feito por exame clínico e, em grupos de risco, por anuscopia de alta resolução.

06 — Vacinação: A Principal Ferramenta de Prevenção Primária

A vacinação contra o HPV representa um dos maiores avanços da medicina preventiva das últimas décadas. Ao contrário do tratamento das doenças causadas pelo vírus, que é muitas vezes complexo, oneroso e com impacto emocional significativo para o paciente, a vacina age antes da infecção, impedindo que ela aconteça.

Tipos de Vacinas Disponíveis

Duas formulações vacinais foram desenvolvidas e aprovadas por agencias regulatórias em todo o mundo:

  • Vacina quadrivalente (Gardasil): Protege contra os genotipos 6, 11 (baixo risco) e 16, 18 (alto risco). Indicada para homens e mulheres.
  • Vacina nonavalente (Gardasil 9): Protege contra nove genotipos — 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58 —, cobrindo aproximadamente 90% dos canceres do colo do utero. E atualmente a formulacao mais recomendada onde disponível.

Todas as vacinas são compostas por proteinas L1 recombinantes (particulas semelhantes ao virus, chamadas VLPs), que estimulam a produção de anticorpos sem conter material genético viral ativo. São, portanto, vacinas não infecciosas e seguras para grupos imunossuprimidos.

Eficácia Vacinal

Em adolescentes que ainda não foram expostos ao virus, a eficácia das vacinas quadrivalente e nonavalente na prevenção de lesões de alto grau associadas aos genótipos incluídos na formulação supera 95-99%. Estudos de mundo real, conduzidos em países com alta cobertura vacinal — como Austrália, Escandinávia e Reino Unido — já demonstram redução dramática na prevalência de verrugas genitais, lesões NIC 2/3 e, mais recentemente, dos próprios casos de cãncer invasivo em mulheres jovens vacinadas.

07 — Idades e Esquema: Quando e Como Vacinar

A eficácia máxima da vacina contra o HPV é obtida quando aplicada antes da exposição ao vírus, ou seja, antes do inicio da atividade sexual. Por isso, as diretrizes nacionais e internacionais priorizam a vacinação em crianças e adolescentes, mas reconhecem também o benefício em adultos mais velhos, em especial para proteção contra genotipos aos quais o individuo ainda não foi exposto.

Faixa EtariaGrupoEsquema (PNI Brasil)Observacoes
9 a 19 anosMeninas e meninos1 dosePriorizados pelo Programa Nacional de Imunizacoes (PNI). Disponivel gratuitamente em UBS.
9 a 45 anosImunossuprimidos (HIV, transplantados, oncologicos)3 doses (0, 2 e 6 meses)Independente de exposição previa. Disponível em Centros de Referencia para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
15 a 26 anosFeminino e masculino3 doses (0, 2 e 6 meses)Recomendado por sociedades medicas; disponivel na rede privada. ACIP (EUA) recomenda ate 26 anos de forma rotineira.
27 a 45 anosFeminino e masculino3 doses (0, 2 e 6 meses)Decisão individualizada médico-paciente. Pode beneficiar quem não foi previamente vacinado e ainda não teve exposição a todos os genotipos.

Vacinação pelo Programa Nacional de Imunizacoes (PNI)

No Brasil, o Ministério da Saúde incorporou a vacina HPV quadrivalente ao calendário nacional em 2014. Atualmente, o PNI oferece a vacina gratuitamente para meninas de 9 a 19 anos e meninos de 11 a 19 anos, com esquema de dose única. Para populações especiais — pessoas vivendo com HIV/AIDS, transplantados e pacientes oncológicos na faixa de 9 a 45 anos — o imunizante e disponibilizado gratuitamente nos Centros de Referencia para Imunobiológicos Especiais (CRIE), com esquema de três doses.

Vacinação em Adultos: Vale a Pena?

Uma dúvida frequente diz respeito a vacinação em adultos que já iniciaram a vida sexual. É importante compreender que, mesmo em adultos previamente expostos ao HPV, a vacinação pode oferecer benefícios, pois a probabilidade de que uma pessoa tenha sido infectada por todos os genótipos incluídos na vacina e baixa. A vacina não trata infecções já estabelecidas, mas protege contra genotipos aos quais o individuo ainda não foi exposto. Sociedades medicas como a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a ACIP americana recomendam a vacinação de rotina ate os 26 anos e a vacinação por decisão compartilhada entre 27 e 45 anos.

Atenção !!

A vacina contra o HPV não substitui o rastreamento por colpocitologia e/ou teste de HPV. Mulheres vacinadas devem continuar realizando o exame preventivo regularmente, pois a vacina não protege contra todos os genotipos oncogênicos existentes.

08 — Segurança: Perfil de Segurança e Mitos sobre a Vacina

As vacinas contra o HPV sao monitorizadas por sistemas de farmacovigilância em dezenas de países e acumulam um dos mais extensos registros de segurança pós-aprovação da história das imunizações. Mais de 500 milhões de doses já foram aplicadas mundialmente.

Os efeitos adversos mais comuns sao leves e transitórios:

1. dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação (ocorrendo em ate 90% dos vacinados)

2. cefaléias leves

3. fadiga

4. raramente, episódios vaso-vagais relacionados ao medo de agulha.

5. Reações alérgicas graves (anafilaxia) são extremamente raras.

Alegações de que a vacina causaria síndrome de dor regional complexa, doenças autoimunes ou infertilidade foram sistematicamente investigadas por orgãos como a OMS, o FDA (EUA), a EMA (Europa) e a ANVISA (Brasil), sem que qualquer relação causal tenha sido confirmada. O consenso cientifico mundial e de que os benefícios da vacinação superam amplamente os riscos.

Contraindicações

A vacina e contraindicada apenas em casos de hipersensibilidade severa a algum dos componentes da formulação ou a dose anterior. A gestação é considerada uma precaução, sendo preferível aguardar o pós-parto para iniciar ou completar o esquema vacinal, embora não haja evidencias de risco para o feto caso a vacina seja inadvertidamente aplicada durante a gravidez.

09 — Rastreamento e Tratamento Além da Vacina: Como Monitorar e Tratar

A prevenção secundária — por meio do rastreamento regular — e indispensável, especialmente para mulheres que não foram vacinadas ou que o foram após o inicio da vida sexual.

Recomendações de Rastreamento no Brasil

As diretrizes do Ministério da Saúde e do INCA recomendam que mulheres entre 25 e 64 anos realizem a colpocitologia oncológica anualmente nos dois primeiros anos consecutivos e, se normais, a cada três anos. Algumas sociedades especializadas já recomendam o uso do teste de HPV como rastreamento primário ou como coteste a partir dos 30 anos, em substituição ou complemento a citologia. Desde 2025, o Ministério da Saúde iniciou a implementação do rastreamento do câncer de colo pela pesquisa de DNA HPV no SUS.

PORTARIA CONJUNTA SAES/SECTICS Nº 13, DE 29 DE JULHO DE 2025
Aprova as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do
Útero: Parte I – Rastreamento organizado utilizando testes moleculares para detecção de DNA-HPV Oncogênico.

Art. 1º Ficam aprovadas as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero: Parte I – Rastreamento organizado utilizando testes moleculares para detecção de DNA-HPV Oncogênico

Tratamento das Lesões

O tratamento do HPV é direcionado as lesões que o vírus causa, e não ao vírus em si — não existe anti viral específico capaz de erradicar o HPV. As verrugas genitais podem ser tratadas com métodos químicos (ácido tricloroacético, podofilotoxina), físicos (crioterapia, laser, excérese cirúrgica) ou imunológicos (imiquimode). Lesões intraepiteliais cervicais de alto grau (NIC 2 e NIC 3) são tratadas por excisão ou ablação da zona de transformação do colo uterino, como a conização ou o procedimento de excerese da zona de transformação (LLETZ).

10 — Conclusão: Mensagens Finais

O HPV é um desafio de saúde pública de magnitude global, mas é também um dos problemas de saúde para os quais dispomos de ferramentas preventivas extraordinariamente eficazes. A combinação de vacinação ampla — preferencialmente antes do início da vida sexual, mas com benefício em todas as faixas etárias recomendadas —, rastreamento regular e tratamento oportuno das lesões precursoras tem o potencial de eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública, conforme meta estabelecida pela OMS para este século.

Profissionais de saúde desempenham papel central nesse processo: ao oferecer informações precisas, combater a desinformação sobre a segurança da vacina, indicar o rastreamento correto para cada paciente e garantir o acesso ao tratamento quando necessário. A educação da população — especialmente de pais, adolescentes e adultos jovens — e igualmente estratégica para ampliar a cobertura vacinal e reduzir o estigma associado a uma infecção tão comum quanto o HPV.

“Vacinar, rastrear e tratar: esses três pilares, integrados, podem eliminar o câncer de colo do útero como problema de saúde pública nos próximos anos.”

Eu sou Luciana Munhoz, médica ginecologista apaixonada pela saúde feminina e por me manter sempre atualizada e buscando os melhores e mais atuais tratamentos para minhas pacientes.

CRM MT 5336 RQE 1844

Referências Selecionadas

  1. World Health Organization. Human papillomavirus (HPV) and cervical cancer. WHO Fact Sheet, 2023.
  2. Instituto Nacional de Cancer (INCA). Estimativa 2023: Incidencia de Cancer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2022.
  3. Ministerio da Saude do Brasil. Manual Tecnico para o Diagnostico das Infeccoes por Papilomavirus Humano. Brasilia: SVS, 2021.
  4. Schiffman M, et al. Carcinogenic human papillomavirus infection. Nature Reviews Disease Primers. 2016;2:16086.
  5. Arbyn M, et al. Prophylactic vaccination against human papillomaviruses to prevent cervical cancer and its precursors. Cochrane Database Syst Rev. 2018;5:CD009069.
  6. Meites E, et al. Use of a 2-Dose Schedule for Human Papillomavirus Vaccination. MMWR Recomm Rep. 2016;65(49):1–15.
  7. Bruni L, et al. Global estimates of human papillomavirus vaccination coverage by region and income level. Lancet Glob Health. 2016;4(7):e453–e463.
  8. Sociedade Brasileira de Imunizacoes (SBIm). Calendario de Vacinacao SBIm — Mulher. 2023–2024.

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