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Dra. Luciana Munhoz – Ginecologista em Rondonópolis – MT

Conheça os métodos anticoncepcionais e faça a melhor escolha

Um guia completo, em linguagem acessível, para ajudá-la a entender todas as opções disponíveis — dos métodos tradicionais às tecnologias mais modernas.

Eu sou a dra Luciana Munhoz, médica ginecologista há mais de 20 anos, especializada em saúde feminina

Escolher um método anticoncepcional é uma das decisões mais pessoais que uma mulher pode tomar. Não existe uma opção universalmente “melhor” — o que existe é a opção certa para o seu momento de vida, sua saúde e seus planos.

Hoje contamos com uma variedade enorme de métodos: alguns exigem ação diária, outros funcionam por anos sem que você precise se lembrar de nada. Neste artigo, você vai conhecer os principais métodos anticoncepcionais disponíveis no Brasil, com atenção especial aos mais modernos — o implante subdérmico (Implanon/Nexplanon) e o DIU, nas suas diferentes versões.

Lembre-se: a conversa com seu ginecologista é insubstituível. Use este material para chegar à consulta mais preparada e fazer as perguntas certas.

Os principais métodos anticoncepcionais

Pílula anticoncepcional

Comprimido tomado diariamente, geralmente combinando estrogênio e progestogênio. Regula o ciclo e tem alta eficácia quando usada corretamente.Uso diário

Injetável

Hormônio aplicado por injeção a cada 1 ou 3 meses. Prático para quem tem dificuldade de lembrar a pílula todos os dias.Mensal ou trimestral

Adesivo transdérmico

Adesivo colado na pele, trocado semanalmente por três semanas. Libera hormônios continuamente pela pele.Semanal

Anel vaginal

Anel flexível inserido na vagina por três semanas. Cômodo, discreto e com boa tolerabilidade.Mensal

Preservativo (camisinha)

Único método que protege contra DSTs/ISTs além de evitar a gravidez. Deve ser de uso consistente para ser eficaz.Uso em cada relação

Métodos de barreira

Diafragma, capuz cervical e preservativo feminino. Utilizados no momento da relação, sem hormônios.Sem hormônios

Métodos comportamentais

Tabelinha, temperatura basal e muco cervical (método da ovulação). Exigem regularidade do ciclo e muito comprometimento.Menor eficácia

Laqueadura tubária

Método cirúrgico definitivo, indicado para mulheres que não desejam mais ter filhos. Regulada por lei no Brasil.

Métodos de longa duração: a revolução da anticoncepção moderna

Os chamados MACLDs — Métodos Anticoncepcionais de Longa Duração — são considerados pela Organização Mundial da Saúde os mais eficazes disponíveis atualmente. Eles eliminam o “erro humano”: não há pílula para lembrar, não há aplicação mensal. Conheça os dois principais.

Implante subdérmico (Implanon/Nexplanon)]

Um bastão minúsculo inserido sob a pele do braço, com até 3 anos de proteção

O que é e como funciona

O implante subdérmico é uma haste flexível do tamanho aproximado de um palito de fósforo — cerca de 4 cm de comprimento. Ele é inserido sob a pele da face interna do braço, em um procedimento rápido (menos de 5 minutos), realizado pelo médico com anestesia local.

O implante libera continuamente uma pequena quantidade de etonogestrel, um progestogênio de alta potência. Esse hormônio age de três formas principais: impede a ovulação, engrossa o muco do colo do útero (dificultando a entrada dos espermatozoides) e altera o endométrio (revestimento interno do útero).

Eficácia

Eficácia com uso típico>99%

O implante é o método anticoncepcional mais eficaz disponível, com taxa de falha inferior a 1 em 1.000 mulheres por ano. Supera até mesmo a laqueadura tubária nessa comparação.

Para quem é indicado

  • Mulheres que desejam proteção por 1 a 3 anos sem se preocupar com uso diário
  • Mulheres que não podem usar estrogênio (enxaqueca com aura, risco trombótico elevado, amamentação)
  • Adolescentes e jovens que querem um método altamente confiável
  • Mulheres com anemia ferropriva — muitas apresentam redução ou ausência da menstruação

O que esperar após a inserção

A alteração do padrão menstrual é o efeito mais comum. Algumas mulheres ficam sem menstruar, outras apresentam sangramentos irregulares, especialmente nos primeiros 3 a 6 meses. Esse padrão tende a estabilizar com o tempo. O sangramento irregular não representa risco à saúde — porém, pode incomodar algumas mulheres e deve ser discutido antes da escolha.

✔ Vantagens

  • Eficácia superior a 99%
  • Até 3 anos de proteção
  • Sem estrogênio
  • Retorno rápido da fertilidade após remoção
  • Discreet — imperceptível visualmente
  • Indicado na amamentação

✖ Pontos de atenção

  • Pode causar sangramento irregular
  • Requer procedimento médico para inserção e remoção
  • Não protege contra ISTs
  • Custo inicial mais elevado
  • Pode causar acne em algumas mulheres

DIU — Dispositivo Intrauterino

Pequeno dispositivo inserido no útero, disponível nas versões hormonal e de cobre

O que é

O DIU (Dispositivo Intrauterino) é um pequeno objeto em forma de “T” inserido dentro da cavidade uterina por um ginecologista, em um procedimento ambulatorial. Existem dois tipos principais, com mecanismos de ação e perfis de efeitos colaterais bastante distintos.

DIU de Cobre (não hormonal)

O DIU de cobre libera íons de cobre dentro do útero, que são tóxicos para os espermatozoides, prejudicando sua movimentação e capacidade de fertilizar o óvulo. Não contém hormônios, o que o torna uma opção excelente para mulheres que preferem ou necessitam evitar anticoncepção hormonal.

Dura entre 5 e 10 anos, dependendo do modelo. Por não conter hormônios, o ciclo menstrual é preservado — mas algumas mulheres relatam cólicas e fluxo menstrual mais intenso nos primeiros meses.

DIU Hormonal (Mirena, Kyleena, Jaydess)

Libera localmente uma pequena quantidade de levonorgestrel, um progestogênio, diretamente na cavidade uterina. Por ser uma ação local, a absorção sistêmica é mínima, o que reduz muito os efeitos hormonais em comparação com a pílula.

Além de impedir a gravidez, os DIUs hormonais são amplamente usados para tratar cólicas intensas, endometriose, miomas e sangramento uterino anormal. Muitas mulheres ficam sem menstruar — um efeito que a maioria considera bastante positivo. A duração varia de 3 a 8 anos conforme o modelo.

Eficácia (ambas as versões)>99%

Inserção e adaptação

A inserção é realizada em consultório, de preferência durante ou logo após a menstruação, quando o colo do útero está ligeiramente mais aberto. O procedimento dura poucos minutos e pode causar cólicas passageiras. A maioria das mulheres volta às atividades normais no mesmo dia.

Nos primeiros 3 a 6 meses, é comum sentir cólicas e adaptações no padrão menstrual. Após esse período, a grande maioria das mulheres relata alta satisfação com o método.

Para quem é indicado

  • Mulheres que desejam proteção de longa duração (3 a 10 anos)
  • Quem já tem filhos (mais fácil de inserir, mas não é contraindicado em nulíparas)
  • Mulheres com contraindicação a estrogênio (DIU hormonal)
  • Quem prefere anticoncepção sem hormônios (DIU de cobre)
  • Mulheres com endometriose, cólicas intensas ou sangramento abundante (DIU hormonal)
  • Amamentando — ambos os tipos são seguros

✔ Vantagens

  • Eficácia superior a 99%
  • Duração de 3 a 10 anos
  • Versão sem hormônios disponível
  • Retorno imediato da fertilidade após remoção
  • DIU hormonal trata cólicas e sangramento
  • Custo-benefício excelente a longo prazo

✖ Pontos de atenção

  • Inserção pode ser desconfortável
  • DIU de cobre pode aumentar o fluxo
  • Risco baixo de expulsão espontânea
  • Não protege contra ISTs
  • Contraindicado em alguns casos (útero com malformação, infecção ativa)

Comparativo rápido

MétodoDuraçãoEficácia típicaHormônioProtege IST?Reversível?
Implante (Implanon)Até 3 anos>99%Sim (progestogênio)✗✔ Sim
DIU Hormonal3–8 anos>99%Sim (local)✗✔ Sim
DIU de Cobre5–10 anos>99%Não✗✔ Sim
Pílula combinadaUso diário~91%Sim✗✔ Sim
Injetável trimestral3 meses~94%Sim✗✔ Sim
Preservativo masculinoPor relação~87%Não✔ Sim✔ Sim
LaqueaduraPermanente>99%Não✗✗ Não

*Eficácia com uso típico. Com uso perfeito, a maioria dos métodos hormonais supera 99%. Fontes: OMS, FEBRASGO, CDC.

Perguntas Frequentes

O DIU pode sair do lugar?

A expulsão espontânea do DIU é pouco comum — ocorre em cerca de 2 a 10% dos casos, mais frequentemente nos primeiros meses após a inserção. Sintomas como cólica intensa, sangramento aumentado ou a sensação de que o dispositivo mudou de posição devem ser investigados pelo médico. Por isso, é importante realizar o retorno de revisão após a inserção.

Mulheres que nunca tiveram filhos podem usar DIU ou implante?

Sim. As diretrizes da FEBRASGO e da OMS recomendam os MACLDs como opções de primeira linha para mulheres de qualquer idade, inclusive adolescentes e mulheres sem filhos (nulíparas). A inserção pode ser um pouco mais desconfortável em nulíparas, mas é segura e eficaz.

Quando a fertilidade retorna após remover o implante ou o DIU?

A fertilidade retorna rapidamente — geralmente já no próximo ciclo menstrual. Não é necessário “esperar” um período após a remoção para tentar engravidar. Essa é uma das grandes vantagens dos MACLDs em relação ao injetável trimestral, que pode atrasar o retorno da ovulação por alguns meses.

Posso sentir o implante no braço?

É possível palpar levemente a haste sob a pele se você pressionar o local. Visualmente, em geral ele não é perceptível. Hematoma no local da inserção nos primeiros dias é normal. O desconforto após o procedimento costuma ser mínimo e passa rapidamente.

A melhor anticoncepção é aquela que você vai usar

Não existe método perfeito para todas as mulheres. O que existe é a combinação certa de eficácia, conveniência e compatibilidade com o seu estilo de vida — e seu ginecologista pode ajudá-la a encontrar essa combinação.

Importante: Este artigo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta médica individualizada. Cada mulher tem um histórico de saúde único, e a escolha do método anticoncepcional deve ser feita em conjunto com seu ginecologista, considerando suas condições clínicas, uso de outros medicamentos e preferências pessoais.

Referências: Organização Mundial da Saúde (OMS) — Critérios Médicos de Elegibilidade para Uso de Anticoncepcionais, 5ª ed.; FEBRASGO — Manual de Anticoncepção; CDC — Contraceptive Guidance for Health Care Providers.

Eu sou Luciana Munhoz, médica ginecologista apaixonada pela saúde feminina e por me manter sempre atualizada e buscando os melhores e mais atuais tratamentos para minhas pacientes.
CRM MT 5336 RQE 1844

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