Tudo sobre o HPV e prevenção do câncer de colo uterino.

Sou a Dra Luciana Munhoz, especialista em ginecologia e dedicada a atualização e em buscar os melhores tratamentos para as minhas pacientes.
HPV: entender é prevenir.
O vírus mais comum do mundo pode levar ao câncer do colo do útero — mas quando rastreado a tempo, esse câncer é quase 100% evitável. Entenda como funciona e o que fazer.
O que é o HPV/ HPV de Alto Risco/ Papanicolau/ Colposcopia/ Vacinação
80% das pessoas sexualmente ativas terão HPV em algum momento da vida
É o 4º câncer mais comum entre mulheres no mundo
O HPV leva de 10 – 20 anos para progredir ao câncer — tempo para agir
~100% dos casos de câncer cervical têm o HPV como causa
Entendendo o vírus

O que é o HPV e quais tipos existem?
O HPV (Papilomavírus Humano) é um vírus que infecta a pele e as mucosas — incluindo a região genital. Existem mais de 200 tipos diferentes, e eles se comportam de formas muito distintas. A divisão mais importante que você precisa conhecer é esta:
Baixo Risco
HPV de Baixo Risco
Causa verrugas genitais (condilomas) e lesões benignas. Raramente associado ao desenvolvimento de câncer.
HPV 6 e HPV 11
Alto Risco
HPV de Alto Risco
Pode causar alterações celulares progressivas que, sem detecção, evoluem para câncer do colo do útero, vagina, vulva, ânus e orofaringe.
HPV 16/ HPV 18/ HPV 31/ HPV 33/ HPV 45/ HPV 52/ HPV 58
Os tipos HPV 16 e 18 são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero no mundo. Por isso, eles são o principal alvo das vacinas e do rastreamento.
A progressão da doença

Como o HPV evolui até o câncer?
Esse processo leva anos — e é exatamente nesse intervalo que o rastreamento salva vidas.
1. A maioria dos casos
Infecção pelo HPV — eliminação natural
Em 80–90% dos casos, o sistema imunológico elimina o vírus espontaneamente em 1 a 2 anos, sem nenhuma lesão. A pessoa nem fica sabendo que teve.
2. Infecção persistente
HPV de alto risco persiste no organismo
Em alguns casos, o vírus não é eliminado e pode iniciar a progressão da lesão no colo do útero.
3. NIC 1 — Lesão de Baixo Grau
Alterações celulares leves
Primeiras mudanças visíveis nas células. Muitas regridem sozinhas. O acompanhamento periódico é fundamental para monitorar.
4. NIC 2 / NIC 3 — Lesão de Alto Grau
Alterações graves — tratamento necessário
As células já apresentam alterações significativas. Sem tratamento, o risco de progressão para câncer é alto. Tratamento disponível e eficaz.
5. Fase que queremos evitar
Câncer invasor
Quando as células cancerosas invadem o tecido profundo. Esse estágio é o que o rastreamento existe para impedir. O intervalo entre as etapas anteriores e o câncer é de 10 a 20 anos.
Rastreamento: a principal arma de prevenção
Rastrear significa examinar mulheres sem sintomas para encontrar alterações antes que virem câncer. Existem dois exames principais:

Papanicolau (Preventivo)
Coleta de células do colo do útero para análise microscópica. Identifica células com alterações causadas pelo HPV ou lesões pré-cancerosas.
- Mulheres de 25 a 64 anos com vida sexual ativa
- Após 2 exames anuais normais: a cada 3 anos
- Rápido, indolor e gratuito no SUS
- Realizado no consultório em poucos minutos
Teste de HPV (Genotipagem)
Detecta diretamente o DNA do vírus nas células coletadas. É mais sensível que o Papanicolau isolado para lesões de alto grau.
- HPV negativo → repetir em 5 anos
- HPV de alto risco → co-teste com Papanicolau
- HPV 16 ou 18 → colposcopia imediata
- Cada vez mais adotado como rastreamento primário
Não ignore um resultado alterado! Papanicolau com lesão de alto grau ou Teste de HPV 16/18 positivo são indicações de colposcopia. Quanto mais cedo investigado, mais simples e eficaz o tratamento.
Investigação especializada
Colposcopia: quando e por quê?
A colposcopia é o exame que permite ao especialista enxergar o que o olho nu não vê. Usa um aparelho com lentes de aumento (6 a 40x) e luz para examinar detalhadamente o colo do útero.
Como é feita?
1.Introdução do espéculo (igual ao preventivo)
2. Aplicação de ácido acético — áreas alteradas ficam esbranquiçadas
3. Inspeção detalhada com lente de aumento
4. Aplicação de solução de Lugol — células anormais ficam amarelas
5. Biópsia dirigida das áreas suspeitas (quando indicado)
⏱ O exame dura entre 15 e 20 minutos, é feito no consultório e não requer anestesia.
Quando é indicada?
- Papanicolau com lesão de alto grau (HSIL)
- Papanicolau com lesão de baixo grau persistente
- ASCUS + teste de HPV positivo
- Células glandulares atípicas (AGC)
- HPV 16 ou 18 detectado
- Sangramento genital anormal
- Lesão visível suspeita no colo
A biópsia colposcópica é o padrão ouro no diagnóstico — é ela que define o tratamento.
Prevenção Primária: Vacinação contra o HPV
A vacina é a melhor forma de prevenir a infecção pelo HPV antes que ela aconteça. Age antes do contato com o vírus — por isso é mais eficaz quando aplicada antes do início da vida sexual.
- Bivalente
Tipos 16 e 18
Protege contra os dois tipos de maior risco para o câncer cervical – NÃO ESTÁ DISPONÍVEL NO BRASIL
2. Quadrivalente
Tipos 6, 11, 16 e 18
Protege contra câncer e também contra condilomas (verrugas genitais).
3. Nonavalente
9 tipos (6,11,16,18,31,33,45,52,58)
Maior cobertura disponível. Protege contra 90% dos casos de câncer cervical. Disponível apenas na rede particular.
SUS: meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos (1 dose), atualmente sendo extendido até os 19 anos. Imunossuprimidos até 45 anos (3 doses). Vacinadas também devem continuar o rastreamento!

Não adie o seu preventivo
O rastreamento regular é o caminho mais simples e eficaz para proteger sua saúde. Agende uma consulta com um especialista.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional.
Não substitui a consulta médica individualizada. Procure sempre um profissional habilitado para avaliação e conduta adequada ao seu caso.
Referências: INCA · Ministério da Saúde · IFCPC 2011 · WHO

Sou a Dra Luciana Munhoz, médica especialista em ginecologia há mais de 20 anos.